O BON JOVI JÁ NÃO CANTA NADA E O PRÓXIMO PODE SER VOCÊ

 
Captura de Tela 2019-10-06 às 03.16.12.png
 

CUIDADO COM AS TONALIDADES DAS SUAS MÚSICAS


Alou!

Eu resolvi escrever esse texto sobre tonalidades de músicas, pois fiquei profundamente triste em ver o Bon Jovi tão sem voz e tão vendido no show que fez semana passada no Rock in Rio 2019.

Eu fui muito fã do cara por volta dos meus 15 anos!

Eu tenho na memória todas as sensações possíveis do show que vi da banda no Hollywood Rock de 1990. O cara sempre teve a coisa do entertainer, do galã sedutor, mas cantava PRA CARALHO.


A grande questão aqui não é falar mal do Bon Jovi e sim levantar um ponto fundamental no processo em estúdio e depois na hora de montar um show.


Estou falando dele, mas poderia estar falando sobre o Axl Rose, Marina Lima, Gilberto Gil, Ivan Lins, Milton Nascimento, Guilherme Arantes, Zezé Di Camargo, David Coverdale, Erasmo Carlos, Gal Costa, Elba Ramalho, Bob Dylan, Maria Gadú… A lista é interminável de artistas geniais que ao longo da carreira foram tendo suas vozes muito danificadas.


O fato é que às vezes uma determinada estética de uma determinada época influencia gerações de artistas a buscarem cantar em tonalidades muito acima do que seria o saudável. No auge da juventude a gente come e não engorda, bebe e não acorda de ressaca e, logicamente, as cordas vocais também respondem ali meio que razoavelmente “bem”. Mas cantar uma vida inteira nessas condições pode causar, e na maioria das vezes causa, danos irreversíveis para à nossa voz.


PRODUTORES MUSICAIS QUE NADA ENTENDEM DE VOZ

Os artistas são culpados SIM por não trabalharem sua técnica vocal, mas temos que dar os créditos para grande parte dos produtores musicais que não se preocupam com isso e que normalmente detestam gravar voz. Eu mesmo, quando era artista, ouvi de alguns produtores de nome e músicos de grife que o lance era o sangue na voz, era pau na mesa e por aí vai. A tal "verdade” que rola direto que a técnica acaba com o feeling e com a verdade do cantor…


Às vezes em estúdio, quando eu sugiro baixar o tom, isso causa uma leve insatisfação geral, porque mexer em tonalidade dá um trabalhinho a mais… Normalmente todo mundo acha que está bacana e eu eventualmente cedia, mas sempre me arrependia depois. A tonalidade certa tem que ser o lugar confortável e saudável para o cantor. Tudo bem que em um álbum cabe uma ou outra música ou algum momento específico de alguma parte ter algo um pouquinho acima do confortável, mas em geral o ponto seguro é o ponto saudável.


Esqueçam as bobagens clássicas como “eu compus nesse tom”, "mas a base soa melhor nessa tonalidade”, “na mix a gente resolve”, “fulano faz assim”, "é no rouco que está o charme” e outras idiotices do tipo.


Cante no seu TOM CERTO!

Você cantor tem que se lembrar sempre:

Você é o único que normalmente vai estar 100% atento à sua voz. E é você que lá na frente vai ficar ferrado de saúde.


Tonalidades muito baixas também podem ser muito ruins em shows, por exemplo, pois quando o pau come no palco as frequências mais baixas são as primeiras a desaparecer dependendo do tipo de som que um artista faz.


Músicos normalmente não estão nem aí para tonalidade e amam a porra das cordas soltas. Cada um olhando para si… Se o tom certo for a desgraça de um F# é isso.

Fazer o quê?

Use as inúmeras possibilidades de afinação dos instrumentos e segue o trem.

Sua voz é o seu instrumento de trabalho e, assim como todos cuidam muito bem dos seus instrumentos, cuide do seu.

Eu sempre agradeço pela sorte de ter encontrado um profissional chamado Felipe Abreu.

Como cantor na época eu acreditava em todas essas crenças estúpidas, e confesso que como produtor também. Não me tornei um professor de canto nem preparador vocal, longe disso, mas hoje tenho um olhar atento sempre que estou trabalhando com um artista em estúdio ou em shows.


Por hoje é isso!

Bjs

Clê

Captura de Tela 2019-10-01 às 23.31.57.png