Playlists são o novo álbum ou o novo artista?

 
 


Hey!

Fala aí!

Já que entramos em 2019, o lance é olhar para frente e exercitar o desapego a tudo que aprendemos sobre Music Business antes do Spotify reinventar a forma que consumimos música através de seus playlists.


Enquanto a indústria joga “álbuns” no mercado digital como se o mundo ainda fosse o mesmo, o Spotify investe grande parte do seu dinheiro e tempo em pesquisas de tecnologia.


O objetivo é claro:

Nos oferecer a melhor experiência musical possível baseada em quem nós somos, o que estamos sentindo e o que estamos fazendo no nosso dia a dia. Listas intermináveis em uma sequência matadora, são criadas milimetricamente para pontuar nossas emoções e motivações mais íntimas.

 
 


Enquanto artistas têm discografias irregulares e criadas basicamente em torno de seus egos, muitas playlists são feitas por inteligência artificial para nos dar o que já amamos, e ainda nos apresentar o novo de forma acertiva.


Como seres humanos pensam primeiro neles, adivinha o que já está acontecendo:

Uma parcela enorme de usuários já se autointitulam FÃS DE PLAYLISTS, e não de artistas ou gêneros musicais. Já são 350 milhões de pessoas consumindo música dessa nova maneira!


A relação do superfã dos playlists se diferencia dos superfãs de artistas não só pelo engajamento, mas também pela motivação. Enquanto os superfãs de artistas buscam identificação e conexão, os super fãs das playlists normalmente buscam um conhecimento mais amplo de música. Esses fãs da cultura do streaming têm em seu gosto musical uma parte potente da sua personalidade, e usam isso no dia a dia como capital social.

E não pense que essa tendência não vai chegar nos palcos do mundo offline. Os maiores playlists do planeta já têm seus próprios festivais, e outros eventos de grande porte já se "vendem” como “live playlists.

Recentemente, playlists como  RapCaviarWho We Be, tiveram suas próprias turnês com shows de Cardi B, Stefflon Don, Gucci Mane e outros artistas.


 
 

Dê uma olhada como o Spotify faz as tags de música dentro da plataforma para entender melhor como o lance rola no behind the scene:

CN | Content-Based

Que é basicamente como nós classificávamos música até então.

 
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CX | Context-based

Nesse caso estamos falando de atividades e mood's

 
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HB | Hybrid | Híbrido

A mistura dos dois acima.

 
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E olha só como andam as coisas nesse exato momento….

 
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Nós que trampamos na música, temos que chupar essa manga, aceitar e não chorar pelo leite derramado…

O artista não é mais aquele ser divino que decide quando, onde e como sua obra será consumida…

Por mais que se produzam novos “Ok Computers”, a verdade é que a grande maioria das pessoas vai escolher uma faixa ou outra dessa obra prima, e depois colocá-la em uma playlist qualquer ao lado de sabe-se lá quais más companhias… rs


Se a gente não atender essa demanda ENORME e esse shift cultural, ficaremos para trás mais uma vez.

Todos nós temos que ter nossa própria playlist.

Elas podem ser usadas para reforçar nosso posicionamento, mas também para entreter e reter nossos fãs enquanto não temos algo novo para lançar. Uma playlist também pode atrair possíveis novos fãs para a sua arte.

Eu amaria acompanhar o dia a dia musical dos meus produtores prediletos, dos compositores que admiro, e até mesmo de profissionais que trabalham na indústria.

Não seria interessante sabermos o que os A&R's, presidentes e gerentes de marketing andam escutando? Eu me sentiria mais confortável em ter um A&R que curtisse as mesmas coisas que eu.

Dentro de uma Major então, as possibilidades são infinitas. É louco as gravadoras não estarem olhando para isso com a importância devida. Além de perderem uma linda oportunidade de monetizar em cima dos seus catálogos, estão deixando de construir seus próprios canais de divulgação para futuros lançamentos.

Poderiam existir playlists institucionais e playlists em parceria com os artistas do casting.

Da mesma forma que me choca o iTunes e o Spotify não terem sido criados pelas companhias de discos, me dá uma tristeza perceber que novamente estamos vendo o bonde passar sem fazer nada.

O mais louco é que, por preguiça e incompetência, agora elas têm que pagar de maneira ilegal e imoral para enfiar músicas nos playlists de terceiros.


Aproveito esse texto para responder algumas perguntas que recebi desde que lancei um vídeo sobre o Jabá no Spotify no meu canal do Youtube:

Quantos assinantes pagos o Spotify tem hoje?

87 milhões.

Quantas músicas existem hoje no Spotify?

40 milhões.

Quantas músicas são lançadas no Spotify por dia?

20.000 +

Valor pago para gravadoras, editoras e sociedades arrecadadoras?

5 Bilhões de dólares!

 
 


Por hoje é isso!

Beijos!