Por que esperar três anos para lançar um CD pode ser um erro fatal?

Hey! 

Hoje o assunto é sério:

Ciclos de Lançamento

Em textos anteriores sobre campanhas feitas por MetricFoo FightersLondon Grammar e The National eu já tinham tocado nesse ponto, mas hoje resolvi ir mais a fundo.

Posso, as vezes, parecer uma velha chata mas é que de fato as pessoas não entendem MESMO que o antigo modelo foi aos ares. 

 


Antes de mais nada, quero esclarecer que essas companhias são recheadas de pessoas talentosas, mas as estruturas engessadas raramente permitem que esses talentos tenham voz por lá. Os inovadores acabam ficando pelo caminho ou ocupando cargos sem algum poder de decisão. É triste ver amigos queridos e super talentosos frustrados por não poderem colocar boas ideias em prática, mas todos nós precisamos de dinheiro e, às vezes, não vale correr o risco de perder o emprego.


Mas só pra polemizar um pouco posso dizer com convicção que o gap entre um cara da Warner US e um funcionário da mesma empresa no Brasil é tipo meia década.

Se congelar o gringo e soltar uns cinco anos depois, o cara ainda será inovador por aqui.  


"Reuniões de marketing" naquelas salas enormes, se é que podemos chamá-las assim, são verdadeiros campos de concentração de tudo que seja novo. Ou as ótimas ideias morrem por lá mesmo ou saem irreconhecíveis. 

 Tudo isso só para você NUNCA copiar o que as Majors fazem.

 Ok? 

Go! 


 Voltemos ao ponto principal… 


Imagina fazer uma viagem e deixar sua namorada por aí quase sem dar notícias por 36 meses… Se isso já era difícil lá nos anos 80, imagina agora em tempos de Tinder, zap, direct no messenger, direct no snap… Tudo que é inbox é um perigo, amigo.


Quando o Facebook vem com as pessoas que eu talvez conheça é tipo um acontecimento. Se está difícil ser monogâmico estando pertinho da pessoa amada, imagina longe…

Voltemos aos fãs, artistas e ciclos de lançamento. 


 O Spotify é um inferno para quem normalmente não cuida da sua base.

É tipo aquela amiga que você detesta, saca? Está sempre convidando sua mulher para umas boas, sempre tem novos amigos na fita, a cada festa um novo grupo no zap…

Mas o mal de se viver no futuro chama-se: artista relacionado!  

Os tais artistas similares são uma devastação sem precedentes para artistas ausentes ou inconstantes on-line!

E o Release Radar, que toda sexta-feira nos mostra as novidades de todos os artistas que damos o Follow? 

Acendam velas pra que por aqui não role o PANDORA! 

A não ser que você seja um GÊNIO, em dois ou três anos seus fãs estarão por aí entre uma centena de outros artistas incríveis, playlists quase perfeitos... E você, à deriva. Fãs podem continuar te amando, mas acreditam no amor livre.


No meio disso tudo tem os novos “tomadores” de atenção que jogam bonito o game futurístico que a música ainda é faixa branca: Youtubers.

Pergunte ao seu irmão mais novo, seu sobrinho, seu filho ou o filho do seu amigo quantas horas por dia ele fica na porra do Youtube vendo tutoriais de qualquer coisa que seja. 

Todos os dias milhares de buscas feitas no Youtube contém a palavra "como" ou em inglês "How To"


  • Como desenhar?

  • Como fazer...?

  • Como consertar...?

  • Como dar o nó na gravata?

  • Como beijar?

  • Como desenhar uma rosa?

  • Como fazer sorvete?

  • Como perder peso rápido?

  • Como rebolar?


O fato é que todas essas pesquisas e posteriormente o tempo que as pessoas passam nesses tutoriais, estão diretamente disputando atenção com a sua música. A cada seis meses que você fica sem postar nada no seu canal do Youtube mais longe dos seus fãs você fica. 

Enquanto artistas pensam em seus umbigos, Youtubers pensam estrategicamente em como fazer a melhor entrega do mundo para seus fãs.

Entendam uma coisa: Youtube é uma rede social e os usuários por ali curtem conteúdos sequenciais e semanais.  Aí não adianta mandar milhares de flores dizendo eu te amo… Seus fãs já arrumaram OUTROS(AS). 

Poliamor...  


Reter fãs é sempre mais barato do que conquista-los ou reconquista-los!

You got it? 


Por hoje é isso!

Um beijo enorme 

Clemente Magalhães