Por trás do sucesso de um dos vídeos mais loucos e importantes da indústria recente da música!

 
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Hey!! 

Hoje vou falar sobre uma das bandas mais brilhantes da mundo digital: 

OK GO! 

 

Para muitos,  o OK GO é de fato a primeira Vídeo Band.

Ao determinar que seu produto principal era o vídeo, a banda mostrou ao mundo que era possível lotar estádios e ganhar dinheiro usando outros métodos e repensando o business de uma forma completamente diferente.

 

Os caras perceberam bem cedo que num  mundo onde todos podem produzir seu próprio vídeo, a distância entre um clipe oficial de uma certa canção e um vídeo amador produzido por um fã da mesma faixa tem hoje praticamente o mesmo valor.

Quem aqui nunca descobriu uma música através de alguém fazendo um cover no Youtube?

 

A banda sempre produziu clipes que davam uma certa sensação de que os fãs poderiam fazer bem parecido se quisessem. Gente comum fazendo conteúdos possíveis de serem produzidos por qualquer um. Era como se seus fãs pudessem se conectar com os clipes da banda da mesma forma que se conectavam com os seus próprios vídeos.

 

Um processo certeiro, difícil de ser reproduzido, mas que vem funcionando há anos, clipe á clipe,  sempre com o mesmo sucesso.

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POR TRÁS DO SUCESSO DE UM DOS VÍDEOS MAIS IMPORTANTE DA INDÚSTRIA RECENTE DA MÚSICA! 

"Here it Goes Again"

 

Tudo começou de fato quando em 1999 a banda foi convidada a participar de um programa mega tosco chamado Chic-a-GoGo. A banda já tinha por característica não se levar a sério e seus shows sempre tinham umas coreografias bem loucas no fim. Quando souberam que teriam que tocar a faixa "C-C-C-Cinnamon Lips" em playback o líder da banda, Kulash, logo deu um jeito de levar a coisa ao extremo. Depois de algumas horas vendo alguns vídeos do NSYNK criaram uma espécie de coletânea do ridículo e fizeram uma coreografia propositalmente para o programa. 

 
 
 

 

Quando foram pensar na turnê do segundo CD, Oh No, in 2005, com o objetivo de manter aquela assinatura decidiram criar um novo número para terminar o novo show. Então Kulash pediu a sua irmã, Thish, para ajuda-los a criar algo ainda mais ridículo para a coreografia do novo single "Million Ways".

 

Durante o processo dos ensaios, souberam que o famoso diretor francês Michael Gondry estava na cidade. Para tentar impressionar o cara  e convence-lo a trabalhar com a banda produziram um vídeo super simples no quintal da própria casa. Depois de umas quatro tentativas o tal video foi parar na mão de amigos. Não demorou muito para a coisa se espalhar via email, chats on-lines e através do site iFilm.com. A coisa viralizou de uma forma tão louca, que pessoas do mundo inteiro começaram a gravar seus próprios conteúdos imitando a mesma coreografia e repassando a amigos. O que hoje parece algo mais normal a cada vez que vemos um fenômeno como "Que Tiro Foi Esse", era uma verdadeira revolução na época.

 

 Logicamente a gravadora achou aquilo uma loucura! Imaginem?? hahahhahahaha

Disseram que estava tudo errado, que não levariam aquilo a frente mas no escritório dos caras era uma avalanche de videos cassetes chegando do planeta inteiro com pessoas comuns fazendo suas releituras do clipe da banda. 

 
 
 
 

Percebendo algo novo acontecendo a banda se fez a pergunta que mudou a carreira deles para sempre:

e Se a gente pode criar um super hit online por acidente poderíamos fazer isso de forma planejada? 

 
 

 

Com a proposta de elevar o ridículo ao super extremo a banda se trancou em casa por 10 dias, com 8 esteiras de ginástica, para gravar um dos clipes mais importantes da história da música recente do nosso mercado.  Sem verba alguma, sem produção e usando equipamentos amadores nasceu "Here it Goes Again". Os números eram tão impressionantes que um dia o cantor recebeu um email de um tal Chad, pedindo para que eles fizessem o upload do vídeo em uma nova plataforma que ele tinha acabado de lançar: Youtube. 

 

Eu não sei se a gente sequer levou aquilo a sério. Era mais um cara com uma startup estúpida, você me entende...?
— Kulash, vocalista da banda OKGO no livro Videocracy

Em pouco tempo o "clipe" tomou proporções tão gigantescas que a MTV chamou os caras para fazerem o número ao vivo com esteiras e tudo no seu Music Awards. 

 

O enorme sucesso de um clipe sem nenhuma verba e feito pelos próprios artistas foi um divisor de águas na indústria. Mas a reação a “A Million Ways” e “Here It Goes” também sugeriu uma grande oportunidade para artistas se expressarem de uma maneira que permitisse que os fãs se conectassem ao seu artista predileto de maneira bem mais significativa. Talvez vídeos de música não fossem mais apenas uma maneira de se promover uma faixa. Talvez fosse o produto prioritário.
— Kevin Allocca, em seu livro Videocracy

Durante o prêmio da MTV um alto executivo ligado a gravadora de Justin Timberlake chegou para a banda e disse: "Eu não sei se eu te agradeço ou te dou um tapa na cara.

Vocês acabaram de mudar completamente a indústria de uma hora para outra.

Agora  é assim que se faz um vídeo clip. 

 

 
 

Apesar de muitos apontadores de que tudo de fato já se transformou há tempos, ainda vemos as pessoas repetirem os mesmos erros. Antigas fórmulas, formatos e conceitos que já nem se aplicam mais, sendo usados como se ainda vivêssemos nos anos 80, 90... 

 

Espero que tenham gostado do texto e que a bela história do Ok Go possa inspirar a todos na hora de pensar em lançar algum novo "produto". Lembrem-se que  uma boa história, um fato mega curioso ou algo bizarro tem sempre muito mais força e chances de compartilhamento que um novo pedaço de plástico ou mais um vídeo clichê. Antes de começar o seu novo "seja lá o que for", já pense em como isso será divulgado.

Número de faixas, o tempo das músicas e qualquer outro padrão seguido até aqui eram apenas adaptações que artistas foram obrigados a fazer ao longo da história para se adaptar as tecnologias disponíveis em cada época. Se hoje não existe mais CD, se tocar no rádio é ineficaz e inviável para 99% dos seres humanos e seu produto será lançado on-line, por que se preocupar se uma música tem refrão? Por que ficar grilado se uma faixa passar dos tais 3:40? Por que fazer um 14 faixas se apenas uma será consumida por vez? E por que querer submeter sua arte aos contratos bizarros de uma gravadora e às tais "mentes brilhantes" ?  Não existe mais MTV fucking format! A porra toda ruiu! 

Será na quebra dos padrões que novos OK GO's surgirão! 

Amém! 

Vamos que vamos! 

 

Por hoje é isso. 

Um beijo enorme!

Clemente Magalhães