Saiba como o Arcade Fire conseguiu vender 450.000 cópias em 7 dias com um plano de marketing MUITO LOUCO. Uma aula!

 

Bom dia amigos do mundo das artes! 

Hoje, como foi prometido nas nossas redes sociais, vou falar sobre um super case de marketing.

 

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INFORMAÇÕES DA CAMPANHA

Budget: 100.000 reais |   Audiência: 18-24, 24-34, 34-44 |  Feminino: 48% | Masculino: 52% | Localização: Mundo

 

Arcade Fire sempre foi uma banda com um posicionamento muito claro e seu novo disco segue o mesmo caminho.

PS: Pra quem nunca ouviu falar da banda, pode-se dizer que seus super fãs são tão radicais como o público do Los Hermanos. 

 

Em Everything Now, o grupo mirou suas munições contra a comercialização exarcebada da marca de um artista, sobre gratificação instantânea e a forma que as notícias fakes se espalham pela internet sem nenhuma forma de verificação. 

 

 Para promover seu novo álbum, a banda criou uma narrativa MUITO LOUCA, assinando um contrato 360° com uma companhia fictícia, EVERYTHING NOW, e criando um diretor de mídia social falso, Tannis Wright. Mesmo a banda sendo conhecida por promover seus álbuns com campanhas bem diferentes, nunca algo tão elaborado tinha sido feito antes. 

 

O conceito geral da campanha veio das próprias músicas que eram críticas à cultura do consumo e à ganância das grandes corporações em um mundo cada vez mais maluco e conectado.

 

A campanha começou no dia 31 de Maio, da mesma maneira que o CD anterior, Reflector, com posters colados ao redor do mundo. Mas dessa vez, mais uma informação foi adicionada a esse primeiro anúncio. Foram criadas duas novas contas oficiais no Twitter. A primeira  @EverythingNowCo, a "oficial"  e responsável por marketing de conteúdo,  retuitou um pequeno vídeo apresentando o clipe da faixa que dava nome ao disco, postado também por uma segunda nova conta  @AF_0ff1c1al, a.k.a. Masha S— que foi feita para parecer um spambot Russo.

 

What The Fuck!?

 
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O Twitter oficial da banda também fez um post com a mesma logo no mesmo dia... 

 
 
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A banda começou a vender merchandise oficial do álbum Everything Now no Primavera Sound festival em Barcelona, incluindo um vinil da musica que deu nome ao disco.  Sua conta no Instagram também foi apagada, indicando que novos conteúdos estariam por vir.

 

 
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Seu canal no Youtube,  Arcade Fire Expat, postou um vídeo de 13 segundos com os primeiros acordes de Everything Now, com um link  pra um blog que anunciava um show secreto em Barcelona. 

 
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No dia primeiro de julho é anunciado o site oficial de Everything Now um vídeo e um post anunciando no twitter seu novo departamento de conteúdo e seu primeiro artista contratado Arcade Fire. 

 
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No dia 3 de junho a banda começa a costurar o rompimento de contrato com a empresa depois por terem vazado as músicas no twitter em anagrama

Segue o pronunciamento da banda: 

 
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Logo em seguida,  a tal guerra fictícia entre o artista e empresa continuou com a página do Facebook fazendo loucos anúncios fakes sobre produtos. 

 
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6 dias depois a banda atualizou sua página. 

 
 
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 O anúncio bombástico que a The Verge, Pitchfork entre outros cobriram amplamente. 

 
 
 
 
 
 
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WHAT THE FUCK 

 

FÃS EM CHOQUE 

 
 
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 Mas a coisa não parou por ai!

 

Como the costume boas histórias se espalham....

Memes, Gifs e ofensas começaram a invadir a internet quando a pior parte foi revelada... 

Cada faixa teria um produto relacionado a venda!

LOL!!!!!!

A faixa ‘Chemistry’ era também um energético e nesse caminho a coisa seguiu como podemos conferir abaixo. 

Imaginem os barbudos dos Los Hermanos voltando com um CD e todos de barba feita com patrocínio da Gilette.... Tipo isso! 

 

Aparentemente estava rolando o clássico selling-out e a turma não perdoa. 

 
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Revoltados em ver seu artista favorito usando práticas de marketing que não tinham nada a ver com o posicionamento da banda, o fãs começaram a fazer sua parte: Buzz

Dessa vez a banda se pronunciou, dizendo que tudo aquilo era uma crítica à maneira promíscua em que artistas e marcas se relacionam nos dias de hoje. 

 
 

 

 

Já na fase final da campanha, a banda começou um bombardeio de desinformação generalizada, criando versões ligeiramente alteradas de sites populares, incluindo "Entertainment Weakly", "StereoYum", "Billlboard", "Fact Company" e "The Hollywood Reported", sempre com críticas a exagerada comercialização da música atual. 

 
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 Foi uma questão de dias pra um enorme e furioso buzz se tornar o assunto do momento. Blogs, influenciadores, portais de música e veículos tradicionais passaram a cobrir o assunto. Dazed, NME, Stereogum, Spin, Vice, Billboard, Mashable, The Verge, The Next Web entre outros deram destaque para o assunto. Mais de 425.000 cópias foram vendias na primeira semana colocando Everything Now entre os 6 álbuns mais vendidos em 6 países incluindo UK, US e Canadá.  

 

Cases como esse nos mostram que é possível criar boas histórias, reforçar posicionamento e ainda por cima vender música no formato que for. Cada artista da sua maneira, sem regras e sem os clássicos "nãos" que ouvimos o tempo todo no mercado brasileiro. O que não dá mais é para lançar produtos em 2018 como se lançava a 20 anos atrás. 

 

 
 
 

 

Pra quem não conhece a trajetória da banda, segue uma crítica histórica feita por David Moore pra a revista Pitchfork, em setembro de 2004.

Na época, o CD Funeral teve uma tiragem audaciosa de 10.000 cópias e ninguém na gravadora MERGE poderia prever o que estaria por acontecer. Funeral viria a vender mais de 400.000 cópias só nos US e entraria de vez pra história do rock mundial. 

Me desculpem mas não tive a ousadia de traduzir um artigo tão bem escrito por um dos jornalistas que mais admiro no mundo. 

How did we get here?

Ours is a generation overwhelmed by frustration, unrest, dread, and tragedy. Fear is wholly pervasive in American society, but we manage nonetheless to build our defenses in subtle ways— we scoff at arbitrary, color-coded “threat” levels; we receive our information from comedians and laugh at politicians. Upon the turn of the 21st century, we have come to know our isolation well. Our self-imposed solitude renders us politically and spiritually inert, but rather than take steps to heal our emotional and existential wounds, we have chosen to revel in them. We consume the affected martyrdom of our purported idols and spit it back in mocking defiance. We forget that “emo” was once derived from emotion, and that in our buying and selling of personal pain, or the cynical approximation of it, we feel nothing.

We are not the first, or the last, to be confronted with this dilemma. David Byrne famously asked a variation on the question that opens this review, and in doing so suggested a type of universal disaffection synonymous with drowning. And so The Arcade Fire asks the question again, but with a crucial distinction: The pain of Win Butler and Régine Chassagne, the enigmatic husband-and-wife songwriting force behind the band, is not merely metaphorical, nor is it defeatist. They tread water in Byrne’s ambivalence because they have known real, blinding pain, and they have overcome it in a way that is both tangible and accessible. Their search for salvation in the midst of real chaos is ours; their eventual catharsis is part of our continual enlightenment.

The years leading up to the recording of Funeral were marked with death. Chassagne’s grandmother passed away in June of 2003, Butler’s grandfather in March of 2004, and bandmate Richard Parry’s aunt the following month. These songs demonstrate a collective subliminal recognition of the powerful but oddly distanced pain that follows the death of an aging loved one. Funeral evokes sickness and death, but also understanding and renewal; childlike mystification, but also the impending coldness of maturity. The recurring motif of a non-specific “neighborhood” suggests the supportive bonds of family and community, but most of its lyrical imagery is overpoweringly desolate.

”Neighborhood #1 (Tunnels)” is a sumptuously theatrical opener— the gentle hum of an organ, undulating strings, and repetition of a simple piano figure suggest the discreet unveiling of an epic. Butler, in a bold voice that wavers with the force of raw, unspoken emotion, introduces his neighborhood. The scene is tragic: As a young man’s parents weep in the next room, he secretly escapes to meet his girlfriend in the town square, where they naively plan an “adult” future that, in the haze of adolescence, is barely comprehensible to them. Their only respite from their shared uncertainty and remoteness exists in the memories of friends and parents.

The following songs draw upon the tone and sentiment of “Tunnels” as an abstract mission statement. The conventionally rock-oriented “Neighborhood #2 (Laika)” is a second-hand account of one individual’s struggle to overcome an introverted sense of suicidal desperation. The lyrics superficially suggest a theme of middle-class alienation, but avoid literal allusion to a suburban wasteland— one defining characteristic of the album, in fact, is the all-encompassing scope of its conceptual neighborhoods. The urban clatter of Butler’s adopted hometown of Montreal can be felt in the foreboding streetlights and shadows of “Une Annee Sans Lumiere”, while Chassagne’s evocative illustration of her homeland (on “Haiti”, the country her parents fled in the 1960s) is both distantly exotic and starkly violent, perfectly evoking a nation in turmoil.

”Neighborhood #3 (Power Out)” is a shimmering, audacious anthem that combines a driving pop beat, ominous guitar assault, and sprightly glockenspiel decoration into a passionate, fist-pumping album manifesto. The fluidity of the song’s construction is mesmerizing, and the cohesion of Butler’s poignant assertion of exasperation (“I went out into the night/ I went out to pick a fight with anyone”) and his emotional call to arms (“The power’s out in the heart of man/ Take it from your heart/ Put it in your hand”), distinguishes the song as the album’s towering centerpiece.

Even in its darkest moments, Funeral exudes an empowering positivity. Slow-burning ballad “Crown of Love” is an expression of lovesick guilt that perpetually crescendos until the track unexpectedly explodes into a dance section, still soaked in the melodrama of weeping strings; the song’s psychological despair gives way to a purely physical catharsis. The anthemic momentum of “Rebellion (Lies)” counterbalances Butler’s plaintive appeal for survival at death’s door, and there is liberation in his admittance of life’s inevitable transience. “In the Backseat” explores a common phenomenon— a love of backseat window-gazing, inextricably linked to an intense fear of driving— that ultimately suggests a conclusive optimism through ongoing self-examination. “I’ve been learning to drive my whole life,” Chassagne sings, as the album’s acoustic majesty finally recedes and relinquishes.

So long as we’re unable or unwilling to fully recognize the healing aspect of embracing honest emotion in popular music, we will always approach the sincerity of an album like Funeral from a clinical distance. Still, that it’s so easy to embrace this album’s operatic proclamation of love and redemption speaks to the scope of The Arcade Fire’s vision. It’s taken perhaps too long for us to reach this point where an album is at last capable of completely and successfully restoring the tainted phrase “emotional” to its true origin. Dissecting how we got here now seems unimportant. It’s simply comforting to know that we finally have arrived.
— David Moore
 
 
Esse blog foi criado com o objetivo de trocar conhecimentos, provocar debates e nos tirar da mesmice como profissionais. Meus exemplos sempre virão do mercado da música, mas facilmente se aplicam ao lançamento de um filme, uma peça de teatro, um canal no Youtube ou qualquer outra campanha de produto on-line. 
— Clemente Magalhães