1983: Uma MTV racista, as gravadoras falidas e um único herói: Michael Jackson

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Hey!

Se você leu o texto O HOMEM QUE QUASE QUEBROU A INDÚSTRIA FONOGRÁFICA AMERICANA NO FIM DOS ANOS 70! o que vou escrever agora é a continuação dessa história que narra a rara obsessão da indústria fonográfica pela auto destruição.

Em 1981, enquanto a indústria amargava o pior resultado financeiro da década, depois do colapso da Disco Music, dentro da CBS a ordem era pressionar os grandes astros do casting para produzirem grandes Hit's.

Walter Yetnikoff, um dos homens mais influentes daquela época, CEO e presidente da companhia, resolveu apostar alto em Michael Jackson. O cantor vinha de um álbum que tinha terminado o ano de 1979 com 8 milhões de cópias vendidas do álbum Off The Wall, e Yetnikoff via nele uma ótima oportunidade de ter bons resultados financeiros no ano seguinte.

Ele ligou para Quincy Jones e Michael e lhes deu um ultimato:

“Termine logo esse novo álbum e me traga um blockbuster até o natal.”

A dupla não curtiu a pressão mas obedeceram o "chefe” terminando as mixagens de Thriller em um mês.

 
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O diálogo maravilhoso entre o artista e o executivo da CBS que vou relatar abaixo foi retirado do livro Appetite for Self-Destruction do querido Steve Knopper.

Michael Jackson: “Eu te disse que eu faria.”

Yetnikoff: “Você fez. Você fez como um filho da puta.”

Michael Jackson: “Por favor não use essa palavra, Walter.”

Yetnikoff: “Você fez como um anjo, Michael”

Michael Jackson: “Assim é melhor. Agora você vai promove-lo?”

Yetnikoff: “Sim! Como um filho da puta.”

Muito se fala sobre a magnitude artística do álbum, mas se olharmos pelo ponto de vista do marketing existe uma estratégia também genial na forma como ele foi pensado e concebido. Sabendo que a Disco Music tinha morrido comercialmente e deixado uma legião de fãs, Michael se apropriou do que existia de melhor no gênero, resignicou tudo com arranjos fulminantes e o rebatizou como Pop.

Michael virou sinônimo de Pop e vice e versa.

Para quem é mais novo é difícil explicar o que foi esse ano de 1983 e o impacto cultural desse furacão na vida da gente. Em um mundo onde meia dúzia de veículos de massa eram a nossa única opção para consumir música, não se falava sobre outra coisa.

Todas as faixas de Thriller foram parar no TOP 10 da Billboard e por lá ficaram por 37 semanas.

 
 


Mas isso tudo poderia nunca ter acontecido se a MTV não cedesse em seu posicionamento racista da época.

Inacreditavelmente o canal não tocava música negra e se recusou a veicular Billie Jean.

Quem teve que intervir foi o todo poderoso da CBS Inc Bill Paley.

Assim que soube da notícia por Yetnikoff ligou para a MTV e jogou duro:

“Se o clipe não estiver no ar até o fim desse dia não faremos mais nenhum negócio com vocês.”


Um único telefonema mudou completamente a história da música POP como a conhecemos.

 
 

Michael Jackson fez da MTV uma ferramenta de promoção ainda mais potente e seus clips criaram uma revolução na forma de promover música e nos jogou na era dos Vídeo Clips.

Não é preciso dizer que o Rei do Pop salvou a indústria musical do colapso e permitiu artistas como Madonna, Prince, Duran Duran pudessem surfar em um mercado fonográfico novamente RICO e capaz de criar artistas anônimos em Superstar novamente…



Thriller vendeu mais de 51 milhões de cópias e até hoje é o segundo disco mais vendido da história.

 

Por hoje é isso.

Um beijo enorme.

Clemente Magalhães