Como o deal entre Spotify e as Majors pode ter afetado seu bolso.

 
 
 
As grandes gravadoras destruíram completamente todos os aspectos de seus business. Ao longo do caminho tiveram todas as ferramentas pra criarem um negócio que realmente funcionasse, mas sempre falharam. Esse é o motivo pelo qual a gente nunca teve nenhum interesse em assinar qualquer tipo de contrato com nenhuma dessas companhias.
— Win Butter, Arcade Fire
Contratos de gravadoras são como escravidão. Eu diria pra todos os artistas pra não assinarem.
— Prince
 

 Enquanto a turma se revolta contra o Spotify, os gringos que dirigem as grandes gravadoras dão risada da nossa cara. 

As Majors, para finalmente liberarem o Spotify a entrar nos Estados Unidos, conseguiram um acordo ótimo para eles e, logicamente, péssimo para os artistas. Eles licenciam todo o seu catálogo para as plataformas de streaming e a maior parte do dinheiro nunca chega para os artistas de fato.

Chega a ser até engraçado ver grupos como o Procure Saber se organizarem pra atirar contra o Spotify, quando na verdade deveriam virar suas munições para as gravadoras com quem sempre fizeram péssimos contratos ao longo dos anos. 

Eu mesmo, quando produzi um álbum do Renato Russo para a gravadora EMI, tive que ceder e abrir mão dos meus direitos no digital. Na época uma pessoa que super admiro me ligou dizendo que se eu não assinasse não receberia e o CD não seria lançado. 

Um contrato vazado que envolvia Lady Gaga e sua gravadora Interscope mostra claramente como gravadoras normalmente arrumam um jeito de extorquir seus parceiros de trabalho. 

 

"No royalties or other monies shall be payable to you [Lady Gaga's songwriting company] or Artist in connection with any payments received by Interscope pursuant to any blanket license under which the licensee is granted access to all or significant portion of Interscope's catalog... "

 

O mais triste nisso tudo é a falta de transparência. 

Nem adianta ficar chateado com as pessoas que trabalham nas grandes gravadoras aqui no Brasil, pois muitos deles nem sabem direito sobre nada disso e são catequizados a acreditar que estão no lado do bem do negócio da música. 

Uma vez, em uma conversa informal com um presidente de gravadora, comentei sobre a participação acionária das Majors no Spotify e ele me disse que isso não era verdade. Como tinha acabado de chegar de DC com a informação super fresca e de fonte segura preferi me calar. O fato é que as gravadoras aqui nada mandam e nem participam de nenhuma decisão desse porte.

 

Segundo o Site Techcrunch, essa seria a lista de acionistas do Spotify. 

 

Participação das Majors no Spotify: 

Rosello (Lorentzon) 28,6%

Instructus (Ek) 23,3%

Northzone Ventures 11,9%

Enzymix Systems (F. Hagnö) 5,8%

Sony BMG 5,8%

Universal Music 4,8%

Warner Music 3,8%

Wellington IV Tech 3,8%

Creandum II LP 3,5%

Swiftic (Strigéus) 2,6%

Creandum II KB 2,4%

EMI 1,9%

Merlin 1,0%

SBH Capital (B. Hagnö) 0,8%

 

Por hoje é isso! 

 

Como diz um grande amigo "em tempos de crise, cús na parede". Se liga! 

Fui!